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Five Hotel, PEQUENO GRANDE PALÁCIO

À MARGEM DOS MÁXI PALÁCIOS E DOS HOTÉIS-BUTIQUE DE LUXO MODERNOS, AS PEQUENAS ESTRUTURAS SE DESENVOLVEM PARA OFERECER A SEUS CLIENTES O MELHOR DE DOIS UNIVERSOS HOTELEIROS

No momento onde os hotéis-butique crescem como cogumelos e onde os palácios são o laboratório experimental dos novos serviços hoteleiros, as pequenas estruturas de luxo personalizado oferecem um “por medida” a preços mais baixos.

Hoteleiro há já vinte anos, Philippe Vaurs assume com espontaneidade seus quatro hotéis parisienses. “Eu sou de Aveyron, diz diretamente este jovem quarentão com olhar de criança. Foi vendo o que os irmão Costes conseguiram em Paris que tomei consciência que podia fazer outra coisa diferente da hotelaria ultra clássica. O problema, é correr riscos e, devo confessar, os banqueiros não são grandes fãs deste tipo de mudanças”. Portanto, ele se lançou de cabeça. Decidiu inventar outra coisa que não um 3 estrelas banal e estandardizado. “Tive vontade de me soltar e de tirar o pó de meu novo lugar sem cair em um palácio ou em um design hotel a 500€.” Inventar uma terceira via é o que se propõe fazer Philippe Vaurs. Instala-se, então, no 5º bairro e investe em um hotel de 24 quartos. Guardando o esqueleto de base com quartos pequenos, ele decide repensar o espaço na sua integralidade. Se associa com o arquiteto Vincent Bastie, que trabalhou no design do hotel du Petit Moulin, no Marais (Christian Lacroix) e no Murano Resort, perto da République, e com uma artista especializada em trabalhos com laca, Isabelle Emmerique. “Tinha sonhos de criança, histórias de Aladino, de céus estrelados e de tapetes voadores; o espírito destes desejos se encontra hoje em cada parte de meu hotel”. Apesar da relativa pequenez dos quartos, (cerca de 12 a 15 m2, salvo a suíte), o cenário imaginado por Philippe Vaurs, Vincent Bastie e Isabelle Emmerique dá ao conjunto do local uma atmosfera singular e muito envoltória. Cada quarto se torna um universo inimitável retomando determinados códigos de cores desejados pelo jovem empresário para dar alma ao hotel. “Eu queria mais que a eterna litografia exibida por cima da cama como em todos os hotéis de França, tinha vontade de outra coisa que não as tradicionais cabeceiras de cama em madeira, eu imaginava uma luz ambiente doce e filtrada”. Para cada quarto, Isabelle Emmerique (primeiro prêmio de laquê no Japão e mestre de arte em França) criou uma obra em função da cor e da temática do local. Com um código de cor sóbrio mas também tônico, nenhum dos quartos se parece com outro (turquesa, preto, branco, laranja, cinza-claro, bege), as harmonias se construindo à volta de duas cores e uma cama com edredom espesso imaculado onde sobressaem quatro grossas almofadas.

“Uma vez que uma das principais dificuldades era o espaço, suprimi o frigobar, e a escrivaninha clássica foi substituída por uma prateleira de vidro iluminada de fibras óticas”. As dificuldades fizeram nascer cenários inovadores: “Desde o início do projeto, o arquiteto designer nos explicou que era preciso alterar a estreiteza dos quartos dando ao olhos outras coisas com que se ocupar, se distrair. É por essa razão que cada detalhe tem sua importância. Tudo deve ser lúdico e sobretudo não demasiado branco”. No banheiro, por exemplo, ele trabalha a luz, iluminando as cabinas de ducha de fibra ótica nas juntas dos azulejos, dando assim um efeito de estrelas azuladas. Ao lado dos banheiros, mandou instalar lâmpadas de leitura para evitar que os que sofrem de insônia e querem ler durante a noite sejam agredidos pelos néons pálidos habituais. As clássicas portas em madeira dos quartos foram também forradas de revestimento tipo aço martelado. No corredor, as paredes foram revestidas de uma imitação de couro que dá muito chique ao espaço. “Com os preços que vão de 180 à 320 €, os jovens clientes podem se permitir passar uma noite ou duas em um mini hotel design. Mesmo os homens de negócio começam a vir”. Alguns lhe dizem que, por preço idêntico, eles se encontram freqüentemente em hotéis sem alma e muito deprimentes. Se hoje a taxa de ocupação ronda os 75 %, Philippe Vaurs conta bem fidelizar sua clientela rapidamente para uma ocupação máxima daqui a alguns meses.

Se cada detalhe desempenha seu papel neste universo atípico no cruzamento dos estabelecimentos na moda e das estruturas de charme, o mais inovador é talvez esta possibilidade de escolher o aroma de seu quarto. “Logo na reserva, o cliente seleciona um aroma de acordo com os critérios de sensação (sensual, gourmand, relaxante, tônico e neutro). Na manhã de sua chegada, nós colocamos algumas gotas de essência em uma lâmpada difusora “Nature et Découverte” e o quarto se reveste então de um perfume subtil e personalizado”, explica Philippe Vaurs. Idéias como esta ele tem mais que muitas; ele trabalha mesmo em vários projetos que verão talvez o dia em 2007. À hora do café da manhã, Philippe Vaurs imaginou um universo de casa de bonecas numa cave muito colorida com uma baixela pastel assinada Gargantua. “Em vez do habitual bufete gigante dos hotéis, nem sempre de qualidade, eu preferi uma seleção de produtos de muito grande qualidade, como os chás Mariage Frères, verdadeiros cafés, frutos secos e frescos, iogurtes caseiros... É importante que os clientes se lembrem. É um momento crucial na vida do hotel”, conclui Philippe.